1ºde Maio – Comemorando meu Trabalho!

É claro que é cansativo!

Principalmente na minha condição física, usando o restinho do quadril esquerdo que ainda me resta – vou botar um novo, numa cirurgia de prótese marcada para o dia 26 de maio – e uma fratura no colo do fêmur esquerdo.
Mas está sendo profundamente recompensador o extraordinário acolhimento com que estamos sendo recebidos para conversar, pessoalmente, sobre o entendimento (ou não), que milhares de Agentes Culturais do nosso Estado e mais de uma centena de Gestores Públicos têm sobre a Política Nacional de Cultura Viva e do trabalho, de um modo geral, no campo das culturas.

Até agora, em menos de um ano de trabalho, já foram 10 Micro TEIAS e 10 Caravanas de Formação, em 20 Cidades diferentes, passando duas vezes por todas as 10 Regiões do nosso Estado e mais as incríveis Rodas de Conversas que já realizamos em 66 Cidades do RJ (espero ter forças para completar o giro pelas 92 Cidades do RJ, antes da cirurgia – está cada vez mais difícil).

Não sou, apenas, um “fazedor de Cultura”: SOU UM TRABALHADOR DA CULTURA!

Como conceituou Paulo Freire: “Cultura é tudo que o homem faz”. E digo eu (inspirado em Bauman), na tentativa de ser o máximo didático, que Cultura é tudo o que não é natural. Por exemplo: você sente fome. Isso é natural. A comida que você escolhe para matar sua fome é Cultura/cultura. Portanto, “fazedor de cultura” somos todos e todas, quando fazemos! Quando escolhemos a roupa que vestimos, a música que dançamos, o “jeitão” que falamos…

Mas, TRABALHADORES DA CULTURA somos apenas alguns: e eu, com muita alegria, sou um desses alguns!
E é justamente esse meu TRABALHO, dialogando, há um ano, com tantos TRABALHADORES DA CULTURA, das mais distintas origens, hábitos e costumes, atividades culturais, da sociedade civil e da gestão pública… que me autoriza afirmar esse diferencial entre “fazedores” e TRABALHADORES DA CULTURA, que merecem de mim as maiores homenagens pela determinação de enfrentar uma missão tão incompreendida, não só por governantes, como por uma parte significativa do conjunto da sociedade.
Quero encerrar essa minha homenagem aos TRABALHADORES DA CULTURA citando uma frase emblemática da saudosa atriz brasileira Cacilda Becker, respondendo a quem lhe pedia um ingresso grátis para assistir aos seus espetáculos: “não me peçam a única coisa que tenho para vender!”.

Vivemos da venda da nossa força de trabalho, criativo – e não o mero privilégio de um lampejo de inspiração – que necessita de remuneração como qualquer outro tipo de TRABALHO, que hoje tem seu dia de “comemoração”/reconhecimento!!!