Milton Nascimento cantou: Eu já estou com o pé nessa estrada/Qualquer dia a gente se vê/Sei que nada será como antes, amanhã!
E foi assim que tudo começou, num dia 9 de março desse 2026, e nada mais foi como ontem e nem será amanhã, depois da gente se ver e dialogar com milhares de Agentes Culturais espalhados pelas noventa e duas cidades do nosso Estado do Rio de Janeiro!
Um pouco “a la” Don Quixote, de Miguel Cervantes, sem ter enlouquecido (isso não tenho tanta certeza), parti numa “aventura imaginária” para enfrentar meus moinhos de vento, gigantes desconhecidos, acompanhado do meu fiel escudeiro, meu Sancho Pança – Avigdor Miranda, com sua câmera na mão, fotografando e gravando tudo – na esperança de minimizar o conflito entre fatos e narrativas sobre o fazer cultural, da sociedade e da gestão pública, no RJ.
Escrevo esse texto pouco depois de ter superado a marca de 50% dessas noventa e duas cidades visitadas, com todo o peso dezenas de horas dirigindo por todos os tipos de estradas que ligam essas cidades, entradas e saídas de pousadas, textos rascunhados, saudade da família e da minha cama… o que me faz lembrar de um filme de brasileiro de 2009, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz: “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”.
Depois de já ter respondido centenas de questionários de mapeamento sobre a Cultura no Brasil – fora os milhares que recebi e continuo recebendo, mas que não respondo mais, e que se impressos e empilhados alcançariam à lua – entendi que valeria o sacrifício dessa aventura de percorrer todo o Estado, para ver, ao invés de ler em formulários/questionários, um pouco do Brasil que o Brasil não conhece.
E posso garantir que está sendo uma experiência um pouco puxada para um velho de 76 anos idade e 200 anos de problemas ortopédicos, mas altamente recompensadora para um Ponteiro da Política Nacional de Cultura Viva, há 21 anos de dedicação visceral ao tema: na prática a teoria deixa frestas inimagináveis!
Comecei esse texto “cantando” Milton Nascimento e encerro “cantando” José Rico e Milionário: Nesta longa estrada da vida/Vou correndo e não posso parar/Na esperança de ser campeão/Alcançando o primeiro lugar.
Porque é assim que pretendo terminar, na esperança de alcançar um lugar campeão para a Cultura Viva RJ!!!